Ciência, política, transdisciplinaridade e bioeconomia são temas do segundo dia

Durante duas semanas 80 participantes do Brasil e da América Latina discutem diferentes aspectos da Amazônia

A interface entre ciência e política, a interdisciplinaridade e um modelo econômico sem desmatamento e com inclusão social. Estes foram os temas que que inauguraram o primeiro dia de discussões na Escola São Paulo de Ciência Avançada Amazônia Inclusiva e Sustentável, em São Pedro (SP). A Escola acontece de 21 de novembro a 05 de dezembro e reúne 80 alunos do Brasil e do exterior.

Marcos Silva, do Inter-American Institute for Global Change Research (IAI), inaugurou a Escola falando dos diferentes órgãos internacionais que tratam da relação entre ciência e tomada de decisão e como o IAI busca contribuir para favorecer este diálogo por meio da organização e capacitação de jovens pesquisadores em diplomacia científica.

Anita Hardon, do Social Science and Humanites cluster da NWO (Organização Neerlandesa para a Pesquisa Científica) e da Universidade de Wageningen, falou sobre múltiplos aspectos da pesquisa transdisciplinar, como a importância da conversa, do respeito sobretudo quando a pesquisa envolve diferentes atores.

Carlos Nobre, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, inicia sua fala comentando sobre a recém finalizada COP27 do Clima (que aconteceu no Egito de 06 a 18 de novembro), na qual considera que tenha tido mais importância para o Brasil do que para o mundo.

O pesquisador estuda a Amazônia há mais de 40 anos e trouxe dados sobre a riqueza biológica da região e o relevante papel do bioma para a regulação do clima planetário. Além disso, discutiu as ameaças e impactos, principalmente o risco de atingir o ponto de virada (tipping point) do bioma, ou seja, a perda da capacidade de regeneração da floresta. Como alternativa virtuosa, o Carlos Nobre defendeu caminhos para um desenvolvimento com a floresta em pé, como, por exemplo, por meio da restauração florestal do arcos de desmatamento ( no sul da Amazônia brasileira) e a bioeconomia, que envolve recursos da Amazônia, inclusão dos povos locais e tecnologia.

Materiais sobre as palestras podem ser encontrados no site da Escola https://spsas-amazonia.biota.org.br/

Sobre a a Escola de Ciência Avançada Amazônia Inclusiva e Sustentável

A Escola São Paulo de Ciência Avançada Inclusiva e Sustentável nasceu focada na Amazônia por um olhar transdisciplinar. Durante duas semanas serão abordadas as questões acerca do território amazônico, seus habitantes e os protagonistas da biodiversidade e mitigação das mudanças climáticas. “Montamos a escola para dar uma visão das diferentes dimensões da Amazônia, mas sabemos que ainda há lacunas, como a segurança alimentar e saúde”, explica Carlos Joly, coordenador da Escola. A questões de saúde e alimentação foi pouco

Os participantes irão se organizar em grupos e desenvolver temas que têm afinidade entre si. “A proposta é co-construir temas que serão tratados na escola e que sejam do interesse dos participantes.”, explica Joly. Ao final o material escrito será transformado em um e-book.

Marcos Silva (IAI).
Foto: Henrique Simões
Anita Hardon (NWO)
Foto: Henrique Simões
Carlos Nobre (IEA/USP)
Foto: Érica Speglich